Jogo simbólico no Sub-7: quando a criança também constrói o significado do treino

Imagine duas situações.

Na primeira, o treinador monta quatro cones em linha e pede:

“Conduz a bola, passa pelos cones e volta.”

As crianças começam. Depois de algumas repetições, uma acelera para terminar logo. Outra pula um cone. Uma terceira começa a chutar a bola contra a parede enquanto espera novamente sua vez.

Na segunda situação, existe bola, espaço, um adversário e três caminhos possíveis. A criança precisa atravessar aquele espaço sem perder sua bola. O defensor protege a passagem. Antes de começar, alguém diz que aquele espaço é uma fortaleza. Outra criança decide que o defensor será o guardião. Um dos portões vira a entrada secreta.

O treinador não planejou todos esses detalhes.

Mas as crianças começaram a construí-los.

E continuam jogando.

Talvez a diferença entre essas duas situações não esteja apenas em uma ser “divertida” e a outra não.

Existe algo mais interessante acontecendo.

Na segunda situação, além de conduzir, mudar de direção, observar o defensor e escolher um caminho, a criança passa a atribuir significado ao que está fazendo.

É justamente aí que o jogo simbólico pode oferecer uma contribuição particular ao futsal Sub-7.

Não porque toda criança precise treinar dentro de uma história.

Nem porque colocar personagens no treino automaticamente melhora a aprendizagem.

Mas porque, em determinadas situações, imaginar pode modificar a maneira como a criança compreende e vive um problema.

E isso merece uma discussão diferente daquela que normalmente fazemos sobre ludicidade.

Nem tudo que tem pirata, castelo e tesouro é jogo simbólico

Existe uma diferença que considero fundamental.

Imagine que eu coloque cinco cones na quadra, determine um percurso em zigue-zague e diga:

“Esses cones são árvores. Vocês precisam atravessar a floresta.”

A atividade ganhou um tema.

Mas o problema motor continua exatamente igual.

A criança entra pelo primeiro cone, passa pelo segundo, contorna o terceiro, termina o trajeto e volta.

Nenhuma escolha nova apareceu porque os cones agora são árvores.

Nenhum papel foi construído.

Nenhum objeto teve seu significado realmente transformado dentro da ação da criança.

O treinador apenas colocou uma história sobre um exercício que já existia.

Isso pode ser agradável.

Pode facilitar uma explicação.

Pode despertar interesse por alguns minutos.

Mas precisamos ter cuidado para não chamar automaticamente isso de jogo simbólico.

De maneira geral, quando a literatura sobre desenvolvimento infantil fala em jogo simbólico ou faz de conta, existe a ideia de agir dentro de uma situação de “como se”.

Uma coisa pode representar outra.

Um espaço pode adquirir outro significado.

Uma criança pode assumir um papel que não existe naquele momento no mundo real.

Um objeto pode ganhar uma função imaginária.

Uma situação pode ser construída coletivamente e continuar se transformando enquanto as crianças brincam.

A bola continua sendo bola.

A quadra continua sendo quadra.

Mas, dentro daquela experiência, elas podem representar também outras coisas.

É essa transformação de significado que torna a discussão sobre jogo simbólico mais interessante do que simplesmente perguntar se uma atividade é divertida.

Talvez possamos enxergar três situações diferentes

Não proponho aqui uma classificação científica do treinamento.

É apenas uma maneira prática de o treinador pensar no que está construindo.

Na primeira situação temos o exercício tematizado.

O treinador pega uma tarefa pronta e acrescenta nomes imaginários.

Os cones viram árvores.

O gol vira castelo.

A bola vira tesouro.

Mas todas as decisões continuam determinadas previamente.

Na segunda situação temos uma tarefa com narrativa.

A história já interfere na maneira como o problema é apresentado.

Talvez existam territórios para conquistar, caminhos para escolher ou objetos para proteger.

A narrativa pode ajudar a criança a compreender o objetivo e se envolver com ele.

Ainda assim, o significado continua sendo predominantemente organizado pelo adulto.

E existe uma terceira possibilidade.

A própria criança começa a entrar no “como se”.

Ela assume um papel.

Transforma um espaço.

Cria uma regra coerente com aquela situação.

Negocia com outra criança o que determinado objeto representa.

Continua a brincadeira sem depender de o treinador narrar cada acontecimento.

Nesse momento, começamos a enxergar com mais clareza um processo de jogo simbólico.

A diferença parece pequena.

Pedagogicamente, não é.

O treinador apresenta o problema. A criança não precisa receber todo o significado pronto

Esse ponto muda a maneira como podemos organizar algumas propostas no Sub-7.

Imagine três pequenas metas espalhadas na quadra.

Cada criança possui uma bola.

Há também dois defensores que podem proteger as metas.

O problema inicial poderia ser simples:

“Vocês precisam atravessar esse espaço e passar com a bola por uma das três metas sem que os defensores roubem.”

Só isso já oferece algumas coisas importantes ao futsal.

A criança precisa observar onde estão os defensores.

Escolher um caminho.

Controlar a distância da bola.

Acelerar quando existe espaço.

Mudar de direção quando o caminho fecha.

Talvez proteger a bola se um adversário conseguir se aproximar.

Até aqui, não precisamos de qualquer narrativa.

Depois podemos perguntar:

“O que esses lugares poderiam ser?”

As respostas podem surgir.

“Casas.”

“Bases.”

“Portais.”

“Esconderijos.”

Talvez uma criança diga que os defensores protegem os portais.

Outra pode dizer que um deles deveria valer mais.

Outra inventa que, depois de atravessar um portal, é preciso procurar outro.

Se essas ideias não destruírem o problema pedagógico, por que eu precisaria impedir?

O treinador continua responsável pela tarefa.

Mas não precisa ser responsável por toda a imaginação.

Existe uma diferença importante entre contar uma história para a criança e permitir que ela participe da construção daquela situação.

O jogo continua sendo de futsal

Esse cuidado é indispensável.

Podemos construir uma situação imaginária muito interessante e, ao mesmo tempo, criar um treino ruim.

Se as crianças passam mais tempo discutindo personagens do que se movimentando, existe um problema.

Se o treinador precisa interromper o tempo inteiro para explicar a próxima parte da aventura, existe um problema.

Se a narrativa ocupa tanto espaço que a bola quase desaparece, também existe um problema.

No treinamento de futsal, o imaginário precisa servir à experiência que queremos provocar.

Não competir com ela.

Voltemos aos portais.

Para mim, o mais importante não é descobrir se a criança realmente acredita que aquela meta é um portal.

Quero observar o que acontece quando ela precisa chegar lá.

Ela olha antes de conduzir?

Percebe que um defensor fechou seu caminho?

Consegue escolher outro?

Muda a trajetória?

Mantém a bola suficientemente próxima quando sofre pressão?

Empurra mais a bola quando encontra espaço para acelerar?

É isso que conecta o contexto simbólico ao futsal.

Temos um significado imaginário.

Temos um problema de jogo.

Temos uma intenção pedagógica.

E precisamos observar se os comportamentos relacionados a essa intenção estão realmente aparecendo.

Uma história não cria decisão onde não existe decisão

Esse talvez seja um dos erros mais fáceis de cometer.

Pegamos um exercício fechado e tentamos salvá-lo com criatividade.

“Agora vocês são astronautas.”

“Os cones são meteoros.”

“A bola é o combustível.”

Mas a criança continua obrigada a fazer exatamente:

direita, esquerda, direita, esquerda, finaliza e volta para a fila.

Podemos criar a melhor história do mundo.

O problema continua sem escolha.

Se queremos trabalhar mudança de direção, por exemplo, talvez possamos construir outra situação.

Duas crianças com bola ocupam um espaço relativamente pequeno. Existem três zonas de saída.

Um “guardião” se posiciona no meio e tenta tocar na bola de uma delas.

Quem possui a bola precisa escapar por qualquer uma das zonas.

Agora mudar de direção deixou de ser um movimento pedido pelo treinador.

Pode se tornar uma solução.

Se o defensor fecha a direita, existe motivo para ir à esquerda.

Se ele se aproxima, talvez faça sentido proteger.

Se ele se afasta, talvez exista espaço para acelerar.

Depois podemos acrescentar uma camada simbólica.

As zonas podem ser “lugares seguros”.

O guardião pode proteger alguma coisa.

Ou as próprias crianças podem decidir o que aquela situação representa.

Mas é importante perceber a ordem das coisas:

a narrativa não criou o problema de futsal. Ela deu outro significado a um problema que já existia.

Essa distinção protege o treino de virar apenas entretenimento.

Como perceber se a criança realmente entrou na situação simbólica?

Também precisamos observar isso.

Se sou eu quem diz que determinado espaço é uma ilha, repito dez vezes que aquilo é uma ilha e preciso continuar lembrando as crianças da história durante toda a atividade, talvez exista muito mais imaginação do treinador do que jogo simbólico das crianças.

Quando a simbolização começa a ganhar vida própria, alguns comportamentos podem aparecer.

Uma criança começa a usar espontaneamente o papel que assumiu.

Outra acrescenta algum significado à situação.

Duas crianças negociam entre si o que determinado espaço representa.

Um objeto recebe uma nova função dentro da brincadeira.

Alguma regra imaginária aparece e é compreendida pelos participantes.

A situação continua mesmo quando o treinador deixa de narrá-la.

Nada disso precisa estar presente o tempo inteiro.

Nem precisamos interromper o treino para verificar se alcançamos uma espécie de “nível correto de simbolização”.

O objetivo não é transformar o treinador em pesquisador da brincadeira.

É apenas perceber que existe diferença entre a criança ouvir uma história e a criança participar simbolicamente dela.

O significado pode nascer do problema, não apenas da decoração

Podemos pensar em outra situação mais próxima da cooperação.

Duas crianças atacam contra um defensor.

Existem duas zonas de pontuação no fundo.

O objetivo é fazer a bola chegar controlada a uma delas.

Podemos simplesmente jogar.

Ou podemos acrescentar um contexto:

as duas zonas são territórios que precisam ser conquistados.

O defensor protege os dois.

A partir daí, posso perguntar às crianças:

“Como vocês vão fazer o guardião ter que escolher qual território proteger?”

Essa pergunta já contém futsal.

Se os dois atacantes ficam muito próximos, o defensor protege os dois ao mesmo tempo.

Se um deles se afasta, aparece outra possibilidade.

Se quem passa permanece parado, o jogo tende a empobrecer.

Se passa e procura outro espaço, o defensor recebe um novo problema.

A narrativa ajuda a organizar o significado.

Mas a aprendizagem não está na palavra “território”.

Está na relação entre companheiro, adversário, bola e espaço.

E existe algo ainda mais interessante.

Talvez uma criança diga:

“Se passar pelos dois territórios vale mais.”

Posso aceitar?

Depende.

Essa nova regra amplia o problema que quero trabalhar ou o destrói?

É aqui que entra o treinador.

Dar espaço para a criança participar não significa aceitar qualquer coisa.

Autonomia infantil não elimina a responsabilidade do adulto

Existe uma ideia que precisa ficar clara.

Valorizar o jogo simbólico não significa entregar o treinamento para as crianças.

O treinador continua construindo limites.

Define tamanho do espaço.

Número de jogadores.

Quantidade de bolas.

Alvos.

Regras.

Tempo.

Segurança.

Complexidade.

Pode aceitar uma ideia proposta pelas crianças.

Pode modificá-la.

Pode recusar quando ela elimina o objetivo da atividade.

Pode interromper se algo deixa de ser seguro.

Pode simplificar se a história se tornou confusa.

Pode retirar completamente a narrativa quando ela não acrescenta nada.

Essa combinação entre agência da criança e orientação do adulto aparece também em discussões sobre guided play. Guided play não é sinônimo de jogo simbólico, e não deve ser usado como evidência específica sobre esse recurso. Mas essa literatura ajuda a compreender uma ideia pedagógica importante: oferecer liberdade de ação não obriga o adulto a abrir mão de objetivos e de organização.

No futsal, eu traduziria assim:

a criança pode participar da solução sem precisar determinar sozinha todo o problema.

Nem toda criança entrará na mesma brincadeira

Também existe uma questão que merece cuidado no Sub-7.

Crianças da mesma idade não respondem necessariamente da mesma maneira ao imaginário.

Uma pode mergulhar rapidamente em uma situação de faz de conta.

Outra pode entender a regra, jogar bem e praticamente ignorar a história.

Uma terceira pode querer modificar tudo.

Não vejo razão para transformar isso em problema.

Se a proposta depende de todas as crianças aceitarem uma narrativa específica para funcionar, talvez a tarefa esteja frágil demais.

O problema de futsal precisa sobreviver.

A criança que não quer ser “explorador”, “dragão”, “guardião” ou qualquer outro personagem ainda deve conseguir entender onde jogar, o que procurar e quais possibilidades possui.

O símbolo pode ampliar o significado.

Não deveria virar uma barreira para participar.

Quando o recurso deixa de ajudar

Existe momento em que simplesmente não funciona.

A história é longa demais.

As crianças começam a esperar pela próxima explicação.

Existem personagens demais.

O treinador passa mais tempo narrando do que observando.

As regras se acumulam.

As crianças perguntam o tempo todo o que podem ou não podem fazer.

O contexto imaginário não tem qualquer relação com o problema da sessão.

Ou, simplesmente, ninguém se interessou.

Nesse caso, retire.

Não existe prêmio metodológico para o treinador que consegue colocar uma aventura em todas as atividades.

Algumas situações de futsal são suficientemente interessantes por si mesmas.

Um 2x2 com dois alvos, espaço bem ajustado e adversários reais pode oferecer muito mais significado do que uma narrativa elaborada artificialmente.

O jogo simbólico é uma possibilidade pedagógica.

Não uma obrigação.

O que a pesquisa permite afirmar?

Também é importante não pedir à ciência uma resposta que ela ainda não oferece.

Existe literatura relacionando o jogo simbólico ou pretend play a diferentes dimensões do desenvolvimento infantil.

Meta-análises encontraram associações com linguagem, competência social e funções executivas.

Isso não significa que o jogo simbólico seja a causa isolada desses resultados.

E muito menos significa que utilizar situações imaginárias em um treino de futsal Sub-7 melhorará automaticamente tomada de decisão, condução, passe ou criatividade motora.

Não encontrei evidência direta que permita fazer essa afirmação.

Portanto, a aplicação feita neste artigo precisa ser entendida pelo que ela é:

uma proposta pedagógica fundamentada em conhecimentos sobre desenvolvimento infantil e combinada com princípios de organização do treinamento em que a criança enfrenta problemas, percebe informações e precisa escolher soluções.

Outras linhas de pesquisa podem nos ajudar em partes específicas dessa construção.

Estudos sobre guided play contribuem para pensar a combinação entre agência infantil e orientação adulta.

Pesquisas sobre active play ajudam a mostrar que brincar e estruturar experiências motoras não precisam ser extremos incompatíveis.

Literatura sobre abordagens baseadas em jogos no esporte ajuda a discutir situações em que percepção e decisão fazem parte da aprendizagem.

Nenhuma delas, isoladamente, demonstra que “jogo simbólico melhora o futsal Sub-7”.

Essa distinção é importante.

A ciência pode orientar nosso raciocínio.

Não precisa ser utilizada para prometer mais do que sabe.

Talvez o treinador não precise inventar tanto

Quando pensamos em jogo simbólico, existe ainda uma pequena ironia.

Às vezes o adulto trabalha muito para produzir uma história que a criança poderia construir melhor.

Planejamos nomes.

Personagens.

Missões.

Aventuras.

Objetos.

E chegamos à quadra com tudo pronto.

Talvez possamos deixar algum espaço em branco.

Criar um bom problema de futsal.

Oferecer alguns elementos.

E observar.

O que aquelas crianças fazem com isso?

Que significado aparece?

O que elas transformam?

O que acrescentam?

E, principalmente:

aquilo que estão criando continua permitindo que o problema de jogo que queremos trabalhar esteja presente?

Se sim, talvez não precisemos conduzir cada detalhe.

O treino pode ter intenção sem ter todas as respostas prontas

No Sub-7, a criança não entra na quadra apenas com um corpo que precisa aprender movimentos.

Ela chega falando, imaginando, negociando, inventando, observando outras crianças, interpretando o espaço e atribuindo significados ao que acontece.

O futsal também pode conversar com tudo isso.

Não precisamos transformar cada treino em fantasia.

Não precisamos esconder exercícios ruins atrás de histórias bonitas.

E não precisamos imaginar que brincar sozinho resolverá aquilo que o treinador não conseguiu planejar.

Nosso trabalho continua sendo construir bons problemas.

A diferença é reconhecer que, em alguns deles, a criança pode fazer mais do que encontrar uma solução motora.

Ela também pode participar da construção do significado daquela experiência.

O treinador organiza espaço, regras, segurança e intenção.

A criança percebe, decide, experimenta, imagina e transforma.

Talvez esteja justamente nessa relação uma das possibilidades mais interessantes do jogo simbólico no Sub-7.

Porque ensinar uma criança pequena não significa necessariamente entregar a ela, antecipadamente, o movimento correto, a decisão correta e até mesmo o significado correto de tudo que acontece.

Às vezes podemos construir o problema.

E permitir que uma parte da experiência também pertença a ela.

Coach Edhuardo | Treinador de Futsal | @coachedhuardo

META DESCRIÇÃO

Entenda o jogo simbólico no Sub-7 e como usar imaginação, problemas e escolhas no treino de futsal sem perder a intencionalidade pedagógica.

SLUG SUGERIDO

jogo-simbolico-no-sub-7-futsal

REFERÊNCIAS

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Lillard, A. S. et al. (2013). The impact of pretend play on children's development: A review of the evidence. Psychological Bulletin, 139(1), 1–34. DOI: 10.1037/a0029321.

Liu, B., Yan, Y., Jia, J. & Liu, Y. (2025). Can active play replace skill-oriented physical education in enhancing fundamental movement skills among preschool children? A systematic review and meta-analysis. BMC Public Health, 25, 1399.

Manninen, M. et al. (2025). The effect of game-based approaches on decision-making, knowledge, and motor skill: A systematic review and a multilevel meta-analysis. European Physical Education Review, 31(1).

Quinn, S., Donnelly, S. & Kidd, E. (2018). The relationship between symbolic play and language acquisition: A meta-analytic review. Developmental Review, 49, 121–135.

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Smits-van der Nat, M. et al. (2024). The Value of Pretend Play for Social Competence in Early Childhood: A Meta-analysis. Educational Psychology Review.

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