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Jogo simbólico no Sub-7: quando a criança também constrói o significado do treino

Imagine duas situações. Na primeira, o treinador monta quatro cones em linha e pede: “Conduz a bola, passa pelos cones e volta.” As crianças começam. Depois de algumas repetições, uma acelera para terminar logo. Outra pula um cone. Uma terceira começa a chutar a bola contra a parede enquanto espera novamente sua vez. Na segunda situação, existe bola, espaço, um adversário e três caminhos possíveis. A criança precisa atravessar aquele espaço sem perder sua bola. O defensor protege a passagem. Antes de começar, alguém diz que aquele espaço é uma fortaleza. Outra criança decide que o defensor será o guardião. Um dos portões vira a entrada secreta. O treinador não planejou todos esses detalhes. Mas as crianças começaram a construí-los. E continuam jogando. Talvez a diferença entre essas duas situações não esteja apenas em uma ser “divertida” e a outra não. Existe algo mais interessante acontecendo. Na segunda situação, além de conduzir, mudar de direção, observar o defensor e escolher um c...

Como lidar com atletas ansiosos na competição: mandar acalmar não ensina ninguém a competir

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Durante a semana, o atleta pede a bola. Recebe pressionado, tenta o passe por dentro, arrisca o drible e, quando erra, continua participando do treino. Chega o jogo e parece outro jogador. Antes da partida, pergunta mais de uma vez se vai começar jogando. No aquecimento, faz tudo mais rápido do que o normal. Quando recebe a primeira bola, tenta se livrar dela imediatamente. Erra um passe simples e, nas jogadas seguintes, começa a se esconder atrás da marcação. Às vezes acontece exatamente o contrário. O atleta que normalmente conversa, brinca e participa chega ao vestiário calado. Senta num canto, responde apenas o necessário e parece distante do ambiente. O treinador olha para um e pensa: “Está nervoso demais”. Olha para o outro e conclui: “Hoje ele está desligado”. Pode ser. Mas os dois também podem estar vivendo a pressão da competição de maneiras completamente diferentes. Esse é um dos primeiros cuidados quando falamos sobre atletas ansiosos na competição: ansiedade não tem uma apa...

Como ensinar os fundamentos do futsal sem tirar das crianças a alegria de jogar

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Passe, recepção, condução, drible e finalização podem ser ensinados com seriedade sem transformar o treino em uma fila de repetições. Quando existe intenção pedagógica, a brincadeira não atrapalha a aprendizagem. Ela abre o caminho para que a criança queira aprender. Já montei treinos que, no papel, pareciam tecnicamente perfeitos. Havia organização, materiais e muitas repetições. Mesmo assim, bastava olhar para o rosto das crianças para perceber que alguma coisa estava errada. Elas executavam, mas já não estavam envolvidas. A bola e o fundamento continuavam ali. O que havia desaparecido era a vontade de descobrir, competir, inventar e tentar de novo. Foi observando situações assim que compreendi uma ideia que hoje orienta minha maneira de ensinar: desenvolver um fundamento não pode significar retirar da criança aquilo que primeiro a aproximou do futsal, a alegria de jogar. Quem trabalha com a base conhece a cena. A bola chega à quadra e os olhos se acendem. As crianças querem to...